domingo, 28 de julho de 2013

De volta à realidade?

Enquanto o papa Francisco, numa visita histórica ao Brasil, reza, evangeliza, abraça, beija e ataca a corrupção, seguem as revelações de danos milionários do pagamento de propinas no Brasil, os Estados Unidos aparece em novo caso de espionagem, e o governador Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, sofre forte desgaste com manifestações de protesto.

Francisco, obviamente, dominou o noticiário da semana passada em todos os meios de comunicação do país. Continuará repercutindo por mais alguns dias. Ganhou de Veja (31 de julho, data de capa) o que a revista chama de edição comemorativa. “Papa Francisco no Brasil – “Quero que a Igreja vá para as ruas”, destaca.

ESPIONAGEM

Época (dia 31, data de capa) traz, com exclusividade, “A espionagem digital dos Estados Unidos” – o governo americano espionou oito países, entre eles o Brasil, para aprovar sanções contra o Irã nas Nações Unidas.

O governo do presidente Obama dera sinal verde para Brasil e Turquia negociarem com o Irã (sobre enriquecimento de urânio, vetado por acordo internacional). Em seguida, passou a demonstrar ceticismo com a negociação. “Espionou as delegações de outros países, trabalhou pelas sanções e vendeu. O Brasil ficou do lado perdedor”.

A operação de espionagem foi um sucesso. Deu aos Estados Unidos “uma vantagem nas negociações”, segundo a então embaixadora do país na ONU, Susan Rice. “Me ajudou a saber se outros integrantes permanentes (do Conselho de Segurança da ONU) estavam dizendo a verdade”. O Itamaraty não quis se pronunciar a respeito, registra Época.

SUPERFATURAMENTO

Também como exclusivo aparece o conteúdo de IstoÉ (dia 31, data de capa). A reportagem é sobre o chamado “Escândalo no Metrô” paulista – “A fabulosa história do achaque de 30%”. Segundo a revista, ao analisar documentos da Siemens, empresa integrante do cartel que drenou recursos do Metrô e trens de São Paulo, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e o Ministério Público concluíram que os cofres paulistas foram lesados em pelo menos R$ 425 milhões.

“Empresas do cartel (denunciadas pela própria Siemens) se associaram para vencer a licitação da fase 1 da Linha 5 Lilás do metrô paulista. Para obterem o contrato, orçado em R$ 615,9 milhões, elas teriam dado 7,5% de propina. Três contratos investigados até agora pelo Cadê o sobrepreço. Dois na Linha 2 Verde e um na 5 Lilás – um superfaturamento de R$ 252 milhões. Acordos entre o cartel e a estatal CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) indicam prática de preços 30% superiores aos normalmente praticados em quatro projetos (superfaturamento de R$ 173,1 milhões)”.

Na coluna Radar, de Veja, Lauro Jardim escreve a nota “Da Siemens para Itajubá”. “Adilson Primo, que comandou a Siemens durante anos e foi demitido da presidência por suspeita de fraude, trabalha hoje na Secretaria de Administração e Gestão da pacata Prefeitura de Itajubá, Minas Gerais. Se quiser, pode ajudar – e muito – na delação premiada que a empresa propôs ao Ministério Público de São Paulo sobre um esquema de cartel em licitações públicas feitas por governos tucanos no estado”.

“FOMOS OMISSOS”

Na mesma edição sobre o cartel, IstoÉ entrevista o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, apresentado como um dos mais fiéis auxiliares do ex-presidente Lula. “Fomos omissos” é o título do texto de Paulo Moreira Leite. “Ministro diz que governo tem muitas conquistas, mas se acomodou e não deu respostas para questões urbanas graves, aumentando o mal-estar da população”.

BRASILEIRO LIMITADO?

A escritora Lya Luft, colunista da Veja, não acha graça quando dizem que alguma falha, bizarrice, relaxamento ou incompetência é o jeito brasileiro. “Não concordo quando autoridades dizem que atrasos em ocasiões oficiais fazem parte da cultura brasileira... Não acho que errar o trajeto ou combinar mal ou nem combinar nada sobre o trajeto de um papa, sabido séculos antes, nas tantas vezes convulsionadas ruas do Rio atual, seja apenas jeito brasileiro. E, se for, a gente tem de corrigir”.

Seu artigo, “O jeito brasileiro”, segue:

“No Brasil é assim...”. “Será? Será bom? A gente deve achar graça e se orgulhar? Houve um momento em que uma autoridade afirmou que caixa dois no Brasil é normal. Será? E então como falar de ética, honradez, transparência, palavras que se vão gastando de tão mal usadas?”, questiona Lya Luft, que me fez lembrar o fato seguinte.
Na semana passada, em rádio de São Paulo, pela manhã, correspondente do Rio de Janeiro, de quem infelizmente não guardei o nome, disse que o brasileiro não tem raciocínio para a diversidade. Vive à base de fazer “uma coisa de cada vez”, falou. Não é capaz, de pensar um evento no Maracanã e suas variáveis, como vias de circulação, utilização de banheiros etc. Foi por aí. Ou seja, segundo ela, o brasileiro ainda é um atrasado, um limitado, para eventos de grande porte.

(Observo que, no geral, o que coube à Igreja organizar – com a participação de milhares de brasileiros, milhares de leigos de múltiplas atividades – foi impecável.)

O VILÃO DA HORA

Para a CartaCapital (dia 31, data de capa), no Rio de Janeiro, Sérgio Cabral é o vilão da hora. “O governador pior avaliado do país perde o controle da situação”, escreve em manchete. Ele “ignora o recado das ruas, continua a reprimir os manifestantes e é o administrador mais reprovado do Brasil”.

Na mesma edição, Marcos Coimbra, colunista da revista, sociólogo e presidente do instituto Vox Populi, analisa as pesquisas pós-manifestações.

“Tudo considerado, Dilma (Rousseff, presidente) mantém-se favorita (para as eleições presidenciais do ano que vem). “Se é verdade, que Dilma desceu, é também verdade que nenhum de seus adversários efetivos subiu. Apenas Marina Silva teve desempenho positivo. (...) Muita gente admira Marina, mas poucos ficam confortáveis a imaginá-la no cargo”, opina Coimbra, em CartaCapital.

O QUE TEMOS DE BOM

“Francisco, sendo argentino, sabe onde se meteu, que continente é este, que país é este, e deve amar o que temos de bom, de belo, de honrado, de afetivo, de alegre, de bravo, de resistente e firme”. Lia Luft, na Veja.

RECOMENDACÕES

Segundo o jornal Estado de Minas, dia 28, em “Os dez mandamentos de Francisco”, o papa, que levou mais de 3 milhões de fiéis à orla de Copacabana, na véspera, depois de uma série de compromissos no Rio, deixa 10 recomendações aos brasileiros. “A maioria do conteúdo é um dedo na ferida aberta entre a sociedade e os políticos desde os protestos de junho e vai ao encontro do que o povo pede nas ruas. Prega, entre outras coisas, o combate à fome e à miséria, o fim da corrupção, a prática da humildade, o amor a Deus, o cultivo da solidariedade e de valores”.

BURRICE

“Esperar do papa Francisco uma ruptura com o dogma e a moral do cristianismo em sua versão católica é mais que um despropósito: é uma burrice. Ele está comprometido pela fé e pelo seu estado sacerdotal com um corpo de doutrinas que atravessou mais de 2.000 anos e pelo qual foi eleito não democraticamente, mas legitimamente pelos representantes da comunidade católica universal”.  Carlos Heitor Cony, escritor, conhecedor de Igreja, na Folha de S. Paulo (27 de julho).

“PRESTO ATENÇÃO”

“Não comento pesquisa. Nem quando sobe nem quando desce [puxa a pálpebra inferior com o dedo]. Eu presto atenção. E sei perfeitamente que tudo o que sobe desce, e tudo o que desce sobe”. Dilma Rousseff, em entrevista a Monica Bergamo, na Folha de S. Paulo (28), para quem falou ainda que “Lula não vai voltar porque nunca saiu (...). Eu e Lula somos indissociáveis”.

“ESSE PAÍS É O BRASIL”

“Considere um país que está entre os dez mais violentos do mundo: um dos países onde mais se morre por causa de tiro”, escreve Vinicius Torres Freire, em “Aquarela sangrenta do Brasil”, na Folha de S. Paulo deste domingo, 28 de julho. 

“Nesse mesmo país, a população adulta mal passou da escola primária, em média. Nas estatísticas mundiais de anos de instrução, esse país está para lá de centésimo lugar numa lista de 185 nações”. 

“Esse país fantástico também é um dos dez mais desiguais em termos econômicos (de renda individual, mas não apenas). Esse país é o Brasil”. 

(...) “Por ninharias, o brasileiro rasga a fantasia fina de civilização e atira: é tosco e tem uma arma à mão para cometer barbaridades (quando não tem arma de fogo, tem um automóvel: somos um dos povos que mais se mata também no trânsito). 

“Desigualdade de renda, social, de poder, violências, falta de educação: há algo de anormalmente errado com o Brasil.
O "gigante" precisa acordar para isso”.

DIA MUNDIAL DA PRIVADA

“A diversão e o riso que possam seguir a designação de 19 de novembro como Dia Mundial da Privada já terão sido úteis se chamarem a atenção para o fato de que 2,5 bilhões de pessoas não têm saneamento básico”.

Trecho de comunicado da ONU (Organização das Nações Unidas), que oficializou a data para alertar para a realidade de 1,1 bilhão de pessoas que não tem sequer acesso a banheiros. (O planeta alcançou 7,03 bilhões de habitantes em abril de 2012, segundo o Fundo de População das Nações Unidas.) Fonte: Veja.

OPÇÃO

“Entre a indiferença egoísta e o protesto violento, há uma opção sempre possível: o diálogo”. Papa Francisco, no Correio Braziliense, dia 28.

PARA TERMINAR - Papa despede-se do Brasil. O Brasil, nesta semana, sem choro, nem vela, cai na sua pobre realidade, de suas mazelas, de muita fumaça, propaganda e pouca ação, da faminta base aliada etc. Há previsão de novos protestos, com suas mensagens. O Brasil cai na realidade?

José Aparecido Miguel, sócio da Mais Comunicação, www.maiscom.com, é jornalista, editor e consultor em comunicação.


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quarta-feira, 24 de julho de 2013

Além do papa Francisco

Retomo meu blog na semana em que o papa Francisco visita o Brasil. Francisco é capa de três das quatro mais destacadas revistas de informação do país (data de capa, 24/7/2013). Na Veja, com a manchete “O papa dos pobres”; na CartaCapital, “O papa renovador”, e na Época, “10 lições de vida do papa”.

IstoÉ optou por reportar sobre “O propinoduto do tucanato paulista”, revelando “documentos exclusivos” sobre esquema de corrupção montado há quase vinte anos para desviar dinheiro de obras do metrô e dos trens metropolitanos de São Paulo, em conexões em paraísos fiscais, pagamentos para empresas de fachada e saques na boca do caixa. Parte do cartel, a Siemens denunciou o esquema, que envolve multinacionais e já arrecadou pelo menos R$ 50 milhões, segundo a revista.
IstoÉ destaca ainda uma matéria de saúde – “A mais importante vitória contra a Síndrome de Down” – e outra sobre tortura, “Por que o Brasil mantém em suas delegacias as mesmas práticas que massacraram presos políticos”.
CONCHAVOS
Além do papa, Veja traz o texto “O rato roeu o ronco da rua”. Segundo a revista, “dinheiro público para financiar campanhas políticas, proteção aos mensaleiros, ajuda aos fichas-sujas, truques para escapar dos julgamentos do Supremo Tribunal Federal… As pragas tradicionais voltaram a roer a pauta do Congresso Nacional. (…)
Na semana passada, escreve a revista, a agenda positiva do Parlamento sofreu um ataque especulativo de pragas que surgiram de muitos lados. No lugar da pauta sintonizada com a sociedade, que previa ações contra políticos condenados e maior transparência nos procedimentos do Legislativo, moveram-se propostas destinadas a fragilizar a legislação eleitoral e favorecer os conchavos com o dinheiro público”.
CLASSE MÉDIA?
Classificar vastos contingentes da população como de “classe média”, em vez de “pobres”, faz qualquer governo parecer mais eficaz. No texto “E você, é da classe média?”, a revista Época escreve que a consultoria Ernest & Young (EY) chegou a uma definição própria, a partir de estudos iniciados em 2010 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
“Num relatório recente, a EY denomina como pertencentes à “classe média global” os indivíduos com rendimento diário entre US$ 10 e US$ 100, uma renda mensal equivalente, agora, à faixa entre R$ 660 e R$ 6.600. O governo brasileiro considera de classe média os cidadãos com renda entre R$ 291 e R$ 1.019 (definição dada em 2012 pela Secretaria de Assuntos Estratégicos, ligada à Presidência da República). Pelo critério do governo, a classe média é maioria no Brasil: 53% dos habitantes. Pelo critério da EY, encolhe para 41%, e os pobres são a maior parte da população”.
Época considera que o critério da EY é tão atacável quanto qualquer outro. “Tem a seu favor o objetivo de aplicação prática: presente em 140 países, a consultoria tem de orientar seus clientes, interessados unicamente em vender”.
Para o Banco Mundial, pertence à classe média quem tem rendimento diário entre US$ 2 e US$ 13 (o equivalente a uma renda mensal entre R$ 132 e R$ 858).
CONSELHEIROS
CartaCapital, em editorial de Mino Carta, afirma que o Brasil precisa de melhores escolhas e a presidenta Dilma, de conselheiros mais competentes.
“Saio de trem-bala. É um objetivo da presidenta Dilma. Ou seria o caso de dizer xodó? Ela o quer a todo custo, para ser preciso 50 bilhões de reais, à velocidade de 200 milhões por quilômetro construído. Agora vejamos. São Paulo, uma das cidades mais caóticas do mundo, dispõe de 70 quilômetros de metrô. Tivesse 300, a vida do paulistano melhoraria extraordinariamente”.
O jornalista explica que as recentes manifestações de rua alegavam entre seus motivos os gastos exorbitantes para a realização da Copa das Confederações, enquanto, por exemplo, mais da metade da população não é alcançada pelo saneamento básico. “Se os propósitos das passeatas frequentemente pareciam obscuros, este seria nítido e justificado. Como a queixa contra o aumento das passagens de ônibus. E nem teríamos como decente, aceitável em um país democrático e civilizado, um transporte público como o nosso mesmo fosse de graça”. Segundo o editorial, até anteontem, ou pouco mais, o Brasil era apontado mundo afora como um país de progresso acelerado”.
“O mundo costuma enganar-se em relação ao Brasil, na mesma medida em que o Brasil se engana em relação ao mundo. A globalização tem suas falhas. O mundo não sabe, por exemplo, que há 20 anos empresas brasileiras produziam eletrodomésticos de excelente qualidade e hoje não mais. Erros de política econômica desencadearam efeitos fatais para a nossa indústria, e não bastam as perspectivas do pré-sal para apresentar o País como terra prometida”.
A revista se posiciona. “Um ano e um mês e meio antes das eleições, CartaCapital abala-se a afirmar que a continuidade de Dilma é, na nossa opinião, da conveniência do Brasil. Permite-se esperar, contudo, que a presidenta seja menos irrecorrível nas suas decisões, ou, por outra, aberta ao benefício da dúvida e, portanto, ao reestudo em busca da solução certa. E que, rapidamente, escolha conselheiros mais competentes”.
VOTO DISTRITAL
“O voto distrital com “recall” é a reforma que inclui todas as outras reformas. São “eles” que passam a ter medo de você, e não o contrário. (…) A expressão tem exatamente o mesmo sentido e propósito em política e em administração pública que tem no comércio de automóveis: “Troque o seu político com defeito (de caráter, de comportamento, de desempenho) por outro novo antes que ele provoque um desastre”.
Trecho de artigo do jornalista Fernão Lara Mesquita, publicado na Folha de S. Paulo, dia 23/7/2013. Mesquita é um dos acionistas do jornal O Estado de S. Paulo. Link do artigo na íntegra:
REVOLUÇÃO
“Questões como esquerda e direita estão superadas. Quem deflagrou tudo isso (manifestações de protesto) foi a classe média. Quem faz a revolução é a classe média”.
Ferreira Gullar, poeta, jornalista, um dos organizadores da Passeata dos Cem Mil, em 1968, em entrevista para a IstoÉ.
AMERICANOS
“Agora vem o governo fazendo cara de que nunca soube. Mentira”.
Fernando Francischini, deputado federal (PEN-PR) e ex-delegado da Polícia Federal, dizendo, em Veja, que as autoridades brasileiras sempre souberam das ações (de órgãos de inteligência) dos americanos no Brasil e que muitas vezes se beneficiaram delas para a solução de crimes cometidos aqui.
José Aparecido Miguel, sócio da Mais Comunicação, www.maiscom.com, é jornalista, editor e consultor em comunicação.
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sábado, 13 de abril de 2013

O futuro da meninada do Brasil


No artigo “A formação de um povo” (Veja10/4/2013, data de capa), a escritora Lya Luft lamenta que, agora, no Brasil, (…) “a meninada só precisa se alfabetizar no fim do 3º ano.

Pergunto: o que estarão fazendo nos primeiros dois anos de escola? Brincando? Gazeteando? A escola vai fingir que está ensinando, preparando para a vida e a profissão? E os pais, que se interessam, o que podem esperar de tal ensino? Aos 8 anos, meninos e meninas já deveriam estar escrevendo e lendo bastante (…). Com que idade estarão prontos para um mercado de trabalho cada vez mais exigente?”.
Paralelamente, uma boa notícia, se for concretizada na prática. “Escola será obrigatória a partir dos 4 anos”, segundo O Globo (6/4/2013).
A mudança, sancionada pela presidente Dilma Rosseff, começa a valer a partir de 2016. “Pais não poderão mais deixar filhos fora da escola dos 4 aos 17 anos. Hoje, essa obrigatoriedade vale apenas para crianças entre 6 e 14. Sistemas terão que ofertar e garantir vagas para todos. (…) Passará a ser um dever dos pais — e não mais uma escolha — matricular seus filhos na escola”.
PETIÇÃO DE MISÉRIA
Mas, fato grave, é que “saiu mais um estudo mostrando que o ensino de matemática no Brasil anda em petição de miséria”, escreve o colunista daFolha de S. Paulo, Hélio Schwartsman (6/4/2013).
“Joyce e Mozart são ótimos, mas eles, como quase toda a cultura humanística, têm pouca relevância para nossa vida prática. Já a cultura científica, que muitos ainda tratam com uma ponta de desprezo, torna-se cada vez mais fundamental, mesmo para quem não pretende ser engenheiro ou seguir carreiras técnicas”.
“Como sobreviver à era do crédito farto sem saber calcular as armadilhas que uma taxa de juros pode esconder? Hoje, é difícil até posicionar-se de forma racional sobre políticas públicas sem assimilar toda a numeralha que idealmente as informa. Conhecimentos rudimentares de estatística são pré-requisito para compreender as novas pesquisas que trazem informações relevantes para nossa saúde e bem-estar”.
SEM DISCRIMINAÇÃO
Em “Sequestro de oportunidades”, Ronaldo de Breyne Salvagni, tratando de contas no sistema de ensino, escreve no mesmo jornal (7/4/2013) que “a grande injustiça é ver a quantidade de pessoas, especialmente os jovens inteligentes e esforçados, sendo impedidas de se desenvolver”.
“Não é dada a elas a oportunidade de aprender e crescer, por causa de uma educação pública básica e média medíocres. Esse é o problema real”.
“Além de cotas no vestibular, em breve teremos propostas de cotas de formatura, para compensar injustiças e discriminações ocorridas ao longo do curso. Em seguida, cotas para times de futebol, cotas para funcionários das empresas, cotas para sócios de clubes, cotas em academias de ginástica, cotas para fiéis de cada religião e culto e por aí vai”.
Salvagni, em outro trecho, considera que o contrário do racismo e da discriminação social não é uma “discriminação positiva”, mas sim a ausência dessas classificações. “Qualquer solução que envolva critérios de raça ou pobreza não contribui para eliminar a discriminação. Pelo contrário, reafirma, reforça e pereniza esses conceitos básicos dos mecanismos de exclusão”.
No ano passado, recorda o site www.todospelaeducação.org.br, o Brasil ganhou a chamada Lei de Cotas, que reserva 50% das vagas das universidades federais para estudantes que cursaram o Ensino Médio na rede pública.
“Metade dessas vagas considera apenas critérios raciais e a outra metade analisa ainda a renda familiar do candidato. A raça é autodeclaratória”.
Mariana Mandelli reporta (6/3/2013) que a porcentagem de alunos negros com mais de dois anos de atraso escolar chega a 14% no Brasil. Entre alunos brancos, a taxa cai pela metade: 7%. Além disso, apenas metade dos estudantes negros, ao atingir o 6º ano do Ensino Fundamental, tem a idade correta para o ano em que estuda. Os números estão na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2011.
“Dados como esses mostram que o fracasso escolar – entendido como baixo rendimento, repetência, abandono e evasão – atinge de formas diferentes estudantes que fazem parte de grupos distintos, quando observados aspectos étnico-raciais. Esse é o tema do artigo “Fracasso escolar e desigualdade no Ensino Fundamental”, da pesquisadora Paula Louzano, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP)”.
No geral, divulga o site, dados mostram que apenas 10% dos alunos que concluem a Educação Básica têm aprendizado adequado em matemática.
“Os anos finais do Ensino Fundamental e o Ensino Médio apresentam hoje os dados mais preocupantes de desempenho do País. O Brasil tem hoje, na segunda etapa do Ensino Fundamental, apenas 27% dos alunos com aprendizado adequado em língua portuguesa e 16,9% em matemática (leia abaixo o que o movimento considera como aprendizado adequado*). Apesar de terem crescido de 2009 para 2011, as duas taxas estão abaixo das metas traçadas pelo Todos Pela Educação, que eram de 32% para língua portuguesa e de 25,4% para matemática. As metas definidas pelo Todos Pela Educação são parciais e crescem ano a ano, até o patamar de 70% em 2022”.
A FORÇA DA TECNOLOGIA
Vem dos Estados Unidos a afirmação de que “é possível educar todas as crianças da escola pública em alto nível”, segundo entrevista recente de Diane Tavenner, diretora executiva e cofundadora da rede de instituições Summit. Desde 2003, quando a primeira unidade foi criada, 96% de todos os seus estudantes foram selecionados para cursar pelo menos uma graduação, reporta o portal iG.
“O mais importante é que nós preparamos todos os nossos alunos para a faculdade e carreira. Isso não é algo que todas as escolas fazem nos Estados Unidos e, possivelmente, aqui também não. Nós acreditamos nisso e levamos a sério esse objetivo. Para isso acontecer, desenvolvemos uma série de ações, mas essa é a nossa missão. E nós já provamos que é possível educar todas as crianças de escola pública em alto nível. Isso é importante, porque muitas pessoas antes pensavam que fosse impossível. E nós, junto com outros educadores nos Estados Unidos, provamos o contrário”.
“Nós começamos criando um plano de estudo personalizado para cada estudante, de modo que ele define logo que chega à escola um objetivo para sua carreira, que universidade quer fazer, que vida quer ter. A partir disso, nós desenvolvemos um plano personalizado para que ele alcance o objetivo. Depois trabalhamos para que a escola forneça todo o suporte necessário para manter o estudante nesse caminho. Esse é o ponto de partida”.
“Nós trazemos tecnologia para a escola, as crianças trabalham colaborativamente em projetos nos quais têm que resolver problemas reais, não é nada chato. Dessa forma, as crianças ficam motivadas porque se dão conta de que estão aprendendo coisas que vão ser úteis para ela. Por último, durante dois meses do ano letivo, em janeiro e junho, os estudantes ficam fora da escola e trabalham na comunidade, fazem estágios, têm experiências relacionadas a seus interesses ou paixões, que podem ser fotografia ou jornalismo, por exemplo”.
“Nós usamos muita tecnologia. Por exemplo, a tecnologia serve para saber exatamente o que cada aluno sabe e não sabe em todos os momentos. Cada estudante tem o seu mapa pessoal de conhecimento e objetivos. Em vez de promover aulas em que não importa quem sabe, mas que todos ouvem a mesma coisa e tem que participar das mesmas atividades, cada aluno vai aprender o que precisa aprender. Fazemos isso com uma ferramenta que chamamos de playlist – como a dos tocadores de música digital. Nessa lista está tudo o que o aluno precisa aprender e ele vai escolhendo como gostaria de fazer. Quando ele sente que já está pronto para seguir em frente, faz uma avaliação. Se ele realmente já aprendeu, ótimo, vai adiante”, explica Diane Tavenner, no iG.
DERAM CERTO
Neste cenário, marcado por contradições, a revista IstoÉ (10/4/2013) traz, em manchete de capa, que as cotas deram certo e revela histórias de sucesso de quem venceu o preconceito. “Uma década depois, a política de inclusão de negros nas universidades brasileiras apresenta resultados surpreendentes. Eles têm notas mais altas que a média; no vestibular, vão tão bem quanto os não cotistas; os índices de evasão são baixos; a maioria sai da faculdade empregada; eles ajudaram a melhorar a qualidade do ensino”.
O que se sabe também é sobre a vantagem de ficar mais um ano na escola, como reporta o jornal Estado de Minas (13/4/2013).
“Cerca de 300 mil estudantes que acabaram de chegar ao ensino médio são os primeiros do país que fizeram nove anos de fundamental, etapa em que entraram um ano mais cedo, aos 6. Em 2004, Minas Gerais inaugurou na educação brasileira esse sistema, que se tornou obrigatório em todo o território nacional em 2010. Os resultados já são visíveis. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de Minas saltou de 4 para 6 na última avaliação do governo federal, alçando o estado à condição de melhor do país. A evolução no aprendizado poderá ser verificada mais detalhadamente quando sair o resultado de uma prova aplicada a esses alunos pioneiros na semana passada. Mas eles mesmos são quase unânimes em dizer que se sentem mais bem preparados para a sequência dos estudos”.
O atraso da educação brasileira vai além de todas as deficiências e eventuais avanços citados. O Globo (9/4/2013), por exemplo, aponta que metade do Brasil apura fraude na merenda escolar. “Ao menos 13 estados investigam desvio do dinheiro da merenda escolar. Em Roraima, a fraude prospera onde os alunos recebem comida estragada e atrasada”.
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José Aparecido Miguel, sócio da Mais Comunicação, www.maiscom.com, é jornalista, editor e consultor em comunicação.


Texto publicado originalmente em

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Atraso, irresponsabilidade e jeitinho

Atraso, irresponsabilidade do poder público e da iniciativa privada brasileiros, tudo somado com a sensação de corrupção generalizada (“jeitinho”), são a síntese do terrível incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), na madrugada de domingo, 27 de janeiro de 2013. Morreram, então, 231 pessoas, a maioria jovens universitários. O número de feridos, na quinta-feira, 31, somava 138. O cenário de erros é bem resumido no  artigo de Eliane Cantanhêde, “Brincando com fogo”, publicado na Folha de S. Paulo (dia 29).

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Tamanha tragédia, claro, trará alguma consequência, pode (deve) até provocar avanços na prevenção de incêndios – o terceiro maior do mundo em boates. Mas a sensação, de novo, é de que nada ou quase nada vai ocorrer, em consequência do desastre, com o passar dos dias. É o resultado da bipolaridade da sociedade (não só no Brasil) entre euforia-otimismo e pessimismo. É, principalmente, na minha opinião, o resultado do recorrente descaso com os problemas que nos cercam no dia a dia.

No artigo “A psicologia da tragédia”, Hélio Schwartsman (Folha de S. Paulo, dia 29 de janeiro), escreve que o roteiro é conhecido e o fenômeno é universal, citando estudos de “Paul Slovic, talvez a maior autoridade do mundo em psicologia do risco, e outra sumidade na área, Cass Sunstein”.

“Após uma tragédia como a de Santa Maria, a vontade de agir é irrefreável. Nas próximas semanas, Estados e municípios atualizarão suas normas de segurança anti-incêndio e apertarão a fiscalização sobre todo tipo de estabelecimento. Trata-se, é claro, de um efeito transitório. Com o tempo, o ímpeto vigilante arrefece e as coisas voltam mais ou menos ao que eram antes”.

NOSSOS CÉREBROS

O colunista considera que o problema, no fundo, é a arquitetura de nossos cérebros. “Quando lidamos com riscos que não fazem parte de nosso dia a dia, ou agimos como se eles não existissem ou como se fossem uma sentença de morte. O mais realista meio-termo desaparece”.
Informações inverossímeis de autoridades, de donos da boate e de integrantes da banda que teria provocado o incêndio forram o noticiário, enquanto a tristeza aniquila famílias e amigos dos mortos e feridos.

O que se lê, por exemplo, dia 31 de janeiro, é que o Rio de Janeiro Rio tem 49 espaços culturais sem alvará.”Entre os que estão em situação irregular, 36 são geridos pela prefeitura”, segundo O Globo. “São Paulo tem 300 casas noturnas em funcionamento sem alvará definitivo” (O Estado de S. Paulo).”Fiscalização em BH não tem data para começar.Cinco dias depois do incêndio no Sul, prefeitura nem sequer conhece a situação das casas noturnas” (Estado de Minas).

CAMINHOS TORTUOSOS E DESABAFO

Em São Paulo, há 30 mil pedidos de alvará parados na prefeitura, 600 dos quais de boates – problema herdado por Fernando Haddad, que assumiu dia 1º de janeiro.”Tirar alvará é sorte grande. Precisa de caminhos tortuosos para obter um, e as pessoas não podem ficar com o negócio fechado”, disse, naFolha de S. Paulo, Percival Maricato, da Abras (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes).

Chamou-me a atenção – e de muitos certamente – o desabafo do poeta gaúcho Fabrício Carpinejar, poeta gaúcho, “A maior tragédia de nossas vidas” (O Estado de S. Paulo, 28). Dois versos:  “(…) /Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu. /As palavras perderam o sentido”.

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SUPERAÇÃO

É marca do homem, também, o poder de superação de dificuldades em várias situações. O jornalista e escritor Ruy Castro revela seu exemplo excepcional no artigo “Há 25 anos”, publicado na Folha de S. Paulo.

Leia:

“Foi num dia 25 de janeiro, como hoje. Enquanto Alice tirava o carro, abri a geladeira e, tremendo muito, servi-me de quatro copos de vodca -pura, gelada, do freezer. Copos, não doses. Cheios, cada qual tomado de um gole, e que, como sempre, desceram como água. O tremor nas mãos não traía nervosismo. Tremia porque acabara de acordar e estava sem beber havia horas. Ainda não descobrira como beber dormindo.
Acordado, bebia um mínimo de dois litros de vodca por dia, só em casa -o consumo na rua era difícil de calcular. Uma vez por semana, a empregada botava os cadáveres para fora, à espera do garrafeiro. Os vizinhos deviam achar que os moradores daquela casa bebiam muito. Se soubessem que um único morador engolia aquilo tudo, não acreditariam.

Dali a pouco, estávamos na rodovia Raposo Tavares, rumo a Cotia, a 31 km de São Paulo, onde eu então morava. Sabia que, no lugar para onde Alice me levava -uma clínica para dependentes químicos-, não haveria bebida. Os quatro copos teriam de bastar até o fim do dia. Mas, e o dia seguinte? E os 30 dias seguintes? Não tinha ideia, nem me preocupava.

Afinal, não vivia dizendo que “bebia porque gostava” e “seria capaz de parar quando quisesse”?
Os primeiros cinco dias foram de horror -o organismo reagindo ao corte súbito do suprimento com tremores pelo corpo inteiro, agitação, insônia, diarreia, taquicardia, suores, possibilidade de delírio. Nas palestras, as vozes dos terapeutas soavam muito longe e o que eles diziam, um mistério. Os colegas de internação, fantasmas sem rosto. Mas, aos poucos, o horror passou e, em menos de duas semanas, foi sendo substituído por uma sensação quase insuportável de lucidez, vigor físico e vontade de viver -como nunca antes. Até hoje.

Enfim, foi hoje, há 25 anos. Mas hoje é apenas mais um dia”.

OTIMISMO

Há, claro, razões para otimismo – e com ele podemos avançar e ter dias melhores. “Neste ano, um contingente de 15 mil brasileiros, que saiu para estudar por meio do “Ciência sem Fronteiras” começa retornar ao país, trazendo na bagagem inteligência e, em decorrência dela, riqueza. No caminho inverso, mais 24 mil bolsistas partirão em 2013 para estudar no exterior pelo programa, em centros como o renomado MIT, em um admirável ciclo virtuoso”, segundo a revista Veja (data de capa, 23 de janeiro). O “Ciência sem Fronteiras” é o programa “menina-dos-olhos” da presidente Dilma Rousseff, acrescento.

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José Aparecido Miguel, sócio da Mais Comunicação, www.maiscom.com, é jornalista, editor e consultor em comunicação.


Twitter: @JoseApMiguel

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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

“Pibão”, “pibinho” e vulnerabilidades


A presidente da Republica Dilma Rousseff afirma que fará “o possível e o impossível” para que o Brasil atinja, em 2013, um crescimento de pelo menos 4% na economia, escreve Vera Rosa, em O Estado de S. Paulo (27/12/2012). A reeleição dela depende da economia, avalia a cúpula do PT, que completa agora 10 anos com as rédeas do poder. Há cerca de um ano, precisamente dia 21 de dezembro de 2011, a meta de crescimento, defendida pela presidente, era de 5% para 2012, segundo o mesmo jornal. O ano está acabando com um crescimento de 1% (ou menos) do Produto Interno Bruto, o PIB, o “pibinho” – ou tudo o que o país produz.

Em 2011, o PIB foi de 2,7%, também abaixo do esperado.
Foi, então, o país que menos cresceu na América do Sul, ficando atrás do desempenho de, por exemplo, Argentina (8,8%), Chile (6,0%) e Venezuela (4,2%), segundo estimativas de governos e analistas.
O britânico Financial Times satiriza as previsões sempre otimistas do ministro da Fazenda Guido Mantega. Segundo a Folha de S. Paulo (dia 27/12), em conto de Natal do blog Beyondbrics, colocam como personagens em bate-boca com Papai Noel a presidente Dilma Rousseff, caracterizada como a rena do nariz vermelho, e o ministro Guido Mantega (Fazenda), como “Guido, o elfo vidente”.
PIBÃO? – A Folha, no editorial “Pibão Grandão” (dia 22/12), opina que a presidente Dilma quer que o PIB cresça pelo menos 4% em 2013, mas sua política econômica dificilmente trará expansão acima de 3%. “É dado como provável que o PIB cresça cerca de 3% em 2013, mas o investimento seguirá abaixo de 20% do PIB, quando o necessário seria 25%. O “pibão” de Dilma não virá tão cedo”.
Para o jornal, os juros mais baixos acabarão por incentivar o investimento e a tomada de risco empresarial, um dia, mas persistem as restrições. “Uma delas é a dificuldade do governo em admitir sem meias palavras que depende do setor privado para alavancar investimentos. Outra é a inflação, que persiste acima de 5,5% e pode subir em 2013 se, como é provável, o PIB se acelerar”.
Rolf Kuntz, colunista de O Estado de S. Paulo, escreve (20/12) que é bom olhar além de 2013. Comenta, por exemplo, que o superávit comercial brasileiro deverá diminuir de US$ 19 bilhões neste ano para US$ 17 bilhões em 2013, porque o valor importado ainda crescerá mais velozmente que a receita das vendas ao exterior.
“A indústria nacional crescerá, mas em ritmo ainda moderado e com muita dificuldade para enfrentar a concorrência estrangeira. (…) De toda forma, será indispensável uma taxa maior de investimento para garantir um crescimento mais veloz, provavelmente no intervalo de 3% a 4%. Se governo e setor privado investirem o equivalente a uns 20% do Produto Interno Bruto (PIB), 2013 estará quase certamente salvo. Mas será preciso mais que isso para impulsionar uma expansão na faixa de 4% a 5% por vários anos. Além disso, será necessário cuidar da eficiência e da qualidade do investimento, dois itens amplamente negligenciados no setor público”.
O editorial de O Globo (1/12) traz o título “Confirma-se o esgotamento dos incentivos ao consumo”. E revela alguns números da economia no final de 2012. Exemplos:
- 1% é a previsão de crescimento do PIB para este ano. Já foi o triplo desse valor;
- 18,7% de investimento. A taxa estava em 20% e caiu, preocupando governo e analistas;
2,5% na agricultura foi o melhor resultado entre os setores econômicos no país;
20º lugar do Brasil num ranking de crescimento de 39 países. Perde para os Brics.
O IMPOSTO QUE NÓS PAGAMOS – Há uma boa notícia para o consumidor, ainda que sua edição tenha alcance limitado.  As notas fiscais terão de exibir o valor dos impostos, anuncia O Globo (11/12/2012). Medida entra em vigor em seis meses. A presidente Dilma sancionou lei, mas vetou uso (do valor embutido) referente ao Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL).
“Numa TV de 42 polegadas, por exemplo, o imposto de R$ 890,49 é maior do que o valor para produzir a mercadoria e representa mais de metade do seu custo final, de R$ 1.499”.
Chama constantemente a atenção os números do Impostômetro, painel criado pela Associação Comercial de São Paulo, Federação das Associações Comerciais do Estado de S. Paulo e Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário.
À parte de que os impostos são ferramentas legais para o desenvolvimento dos municípios, dos estados e do país, e à parte a qualidade de aplicação dos recursos públicos, no momento em que escrevo, dia 27 de dezembro de 2012, por volta de 11h20, o brasileiro já pagou, de janeiro até aqui, 1 trilhão, 494 bilhões, 95 milhões, 847 mil , 944 reais em impostos. É um total suficiente para construir mais de 5.187.854 postos de saúde equipados; ou construir mais de 1.299.223 km asfaltados de estradas; ou comprar mais de 55.337.147 carros populares e/ou construir 42.688.700 casas populares de 40 m2. Quem quer detalhes – municípios, estados, por dia, por mês etc. – pode acessar o link do Impostômetro (http://www.impostometro.com.br/), painel que, fisicamente, está exposto no centro de São Paulo.
OS VULNERÁVEIS – Outro tema de interesse para quem acompanha a economia é a propagandeada classe média. No artigo “Chávez, Brasil e os vulneráveis”, publicado na Folha de S. Paulo (18/12) Gustavo Patu escreve que deixar de ser pobre não significa ingressar na classe média. “Uma coisa é dispor do mínimo para comer e morar; outra é poder consumir além do básico e planejar o futuro. (…) Nas estatísticas do governo brasileiro, a classe média já é mais da metade da população do país; os vulneráveis, menos de um quinto. Nessa conta, são chamadas de classe média famílias com renda entre R$ 291 e R$ 1.019 mensais por pessoa. Com régua menos generosa, o Banco Mundial chegou a conclusões bem diferentes: algo como 32% dos brasileiros estão na classe média; os vulneráveis, 38%, são o maior estrato no Brasil e na América Latina”.
O colunista conclui: “Dito de outra maneira, a fatia mais importante do eleitorado da região superou apenas precariamente a pobreza e depende dos governantes para não cair da corda bamba”.
2013 – Resta, por fim, torcer, trabalhar e manter o entusiasmo para que tenhamos todos, brasileiros ou não, um 2013 em que as boas notícias superem as dificuldades presentes em todas as sociedades. Portanto, Feliz Ano Novo.
José Aparecido Miguel, sócio da Mais Comunicação, www.maiscom.com, é jornalista, editor e consultor em comunicação.

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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Consciência e racismo


O Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro no Brasil, com feriado municipal em diferentes cidades, a exemplo de São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas, e tudo que o tema envolve, merecem reflexão. Sou fiel defensor de ações afirmativas para o desenvolvimento do cidadão mais carente, seja ele branco, preto, pardo, mulato, amarelo, índio, mameluco - enfim, pobre. Simples assim: pobre e portadores de deficiências devem ter cotas sociais, tratamento específico. Cota racial é discriminação. É racismo, em minha opinião, embora respeite todos os contrários.

Vamos ao assunto, agora que volto a escrever este blog, no Dia da Proclamação da República, 15 de novembro, depois de dois meses e meio de ausente, cuidando de outras atividades. O texto tem informações e opiniões para todos os gostos.

O Correio do Estado, de Campo Grande, com informações do portal IG, divulga na véspera (14 de novembro) que trabalhador negro tem 61% do rendimento do não negro. “Os trabalhadores negros são maioria em setores como construção civil e serviços domésticos, que pagam menos, exigem menor qualificação profissional e têm relações trabalhistas mais precárias. Já em setores como serviços, indústria e comércio, os não negros predominam. O resultado é que o rendimento médio por hora dos trabalhadores negros (R$ 6,28) representa apenas 61% do rendimento dos não negros (R$ 10,30)”.
(Não nos esqueçamos que os trabalhadores brancos também estão na construção civil e nos serviços domésticos, nas mesmas condições - recebem menos, têm menor qualificação profissional e têm relações trabalhistas mais precárias)

“DISCRIMINAÇÃO”

Há uma carga de discriminação racial, a pretexto de criar ações afirmativas. Por exemplo: o Campo Grande News (14 de outubro de 2012), com informações da Folha de S. Paulo, informa que o Governo Federal vai criar cota de 30% para negros no serviço público. "Cota seria aplicada aos cargos comissionados e concursados; hoje o Executivo tem cerca de 574 mil funcionários civis".

Ao mesmo tempo, o Ministério da Cultura, comandado por Marta Suplicy, propõe editais exclusivos para produtores negros. A medida, segundo a Folha (dia 6 de outubro), divide o meio cultural. "É um absurdo. Se eu fosse negro, ficaria muito puto. É uma coisa de demência, ligada à culpa cristã de classe média branca. É só um passo a mais pelo ódio racial que está sendo potencializado desde que o PT entrou no poder", disse o cantor Lobão.

Para o autor de "Cidade de Deus", Paulo Lins, a medida anunciada pela ministra Marta Suplicy é boa e necessária. "O negro tem que ter privilégio e inclusão em tudo. Ele foi sacrificado durante 400 anos de escravidão no país".

“CULTURA BRANCO-CÊNTRICA”

Já o cineasta Zelito Viana, que produziu "Terra em Transe" (1967) e "Cabra Marcado Para Morrer" (1985), considera a medida "racista". "Agora haverá editais também para anão e para mulher?"

Segundo o professor de ciência política da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) João Feres Júnior, a medida é importante porque a cultura brasileira é "extremamente branco-cêntrica".

O sociólogo Demétrio Magnoli considera a medida discriminatória porque viola a igualdade constitucional entre os cidadãos, mas hoje "infelizmente" é legal graças à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) a favor das cotas raciais no vestibular da Universidade de Brasília (UnB).

A apresentadora Glória Maria, da Rede Globo, opina: "Quando li a notícia, fiquei em choque: estou no Brasil ou na África do Sul de 30 anos atrás? Isso é discriminação". Clemente, da banda punk Inocentes, acha a iniciativa um absurdo. "O governo deveria se preocupar em incluir classes pobres, gente que nem sabe que existem editais".

A ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza de Bairros, responsabilizou as gerências de estatais pela baixa aprovação de patrocínio cultural a projetos de arte negra. “De forma fraterna e sem querer criar polêmica, há uma espécie de racismo institucional”, afirmou a ministra.

“AUTOCENSURA”

Para o colunista Vinícius Mota, da mesma Folha, no artigo "A era das leis raciais" (dia 15 de outubro), trata-se de uma onda avassaladora, a induzir silêncio e autocensura nos que se opõem a sua implantação. "A sociedade dividida à força entre brancos e negros consumaria o retrocesso histórico da recidiva das leis raciais no Brasil. Chame-as de "racistas" ou "racialistas", na língua da moda, elas exumam e validam termos de velhos adversários da modernidade quando instituem privilégios baseados em atributos corporais. O sangue, a cor, a linhagem. Desta vez é para fazer o bem e reparar o mal, argumenta-se. Tenho dúvidas - e saudades do tempo em que ser moderno era não discriminar nem aceitar discriminação".

Na opinião de Elio Gaspari, em O Globo, dia 20 de outubro, as políticas de ação afirmativa são um sucesso para ninguém botar defeito. "A notícia pareceu uma simples estatística: entre 1997 e 2011, quintuplicou a percentagem de negros e pardos que cursam ou concluíram o curso superior, indo de 4% para 19,8%. Em números brutos, foram 12,8 milhões de jovens de 18 a 24 anos. Isso aconteceu pela conjunção de duas iniciativas: restabelecimento do valor da moeda, ocorrido durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, e as políticas de ação afirmativa desencadeadas por Lula".

Gaspari compara o Brasil e os Estados Unidos: Pindorama ainda tem muito chão pela frente, pois seus negros e pardos formam 50,6% da sua população e nos Estados Unidos são 13%".

“SILÊNCIO ASSOMBROSO”

No artigo “Raça e educação nos Estados Unidos”, dia 24 de outubro, na Folha, Julia Sweig, diretora do Programa América Latina e do Programa Brasil do Council on Foreign Relations, faz referência a artigo do New York Times, que tratou dos efeitos profundamente corrosivos sobre o coração, a alma e a identidade de crianças afroamericanas que estudam em escolas particulares de elite de Manhattan, onde, apesar de estarem mais representadas, há pouco diálogo comunitário sobre raça, classe e privilégios. Um antigo aluno disse ao jornal que "o nível do silêncio é assombroso". "As pessoas são educadas demais para falar disso", comentou.

“A Suprema Corte dos EUA não é tão educada assim e vai em breve julgar uma ação que contesta a ação afirmativa em universidades, uma prática que abriu portas para conquistas de milhões de americanos”, na opinião de Julia Sweig.

MORGAN FREEMAN

Em poucos segundos, há uma bela reflexão sobre racismo. É do grande ator Morgan Freeman, em entrevista a Mike Wallace, no programa 60 minutos da CBS News, nos Estados Unidos. Veja a entrevista, colocada no Youtube, clicando no link abaixo.


O chamado “Movimento Negro do Brasil” reivindica que o feriado de 20 de novembro seja nacional.

José Aparecido Miguel, sócio da Mais Comunicação, www.maiscom.com, é jornalista, editor e consultor em comunicação.


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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Crianças, educação e saúde na contramão dos ufanistas


O Brasil somente será uma Nação importante, uma potência para sua população, no momento em que suas lideranças públicas e privadas se dedicaram à produção de educação de qualidade, para todos, aliada a investimentos bem definidos e proveitosos em ciência e tecnologia.
Por enquanto, na contramão dos ufanistas, temos realidades assim: segundoO Globo, de 28 de agosto de 2012, crianças chefiam 132 mil famílias. “Uma das novidades reveladas a partir do Censo do IBGE é que ainda existem no país 132 mil domicílios sustentados por crianças de 10 a 14 anos”.
Correio Braziliense, da véspera (27), revela o cenário de ensino falido, prefeito rico. Nas 30 cidades com maior queda na nota do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), o patrimônio dos chefes de Executivos se multiplicou. Houve caso em que o crescimento foi de 1.200%. Detalhes: “Ena Vilma (PP) declarou à Justiça Eleitoral possuir R$ 8 mil em 2008. Hoje tem R$ 281 mil.  Mulher do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte, ela comanda o município de Glória (BA), reprovado pelo MEC na avaliação da qualidade do ensino básico oferecido aos alunos. O mesmo aconteceu com Ilso Parochi (PSDB), prefeito da pequena Neves Paulista (SP). O patrimônio dele pulou de R$ 4,5 mil para R$ 70,1 mil em quatro anos. “Eu era padre e não tinha nada. Agora, guardo dinheiro”, tenta se justificar. Para piorar, em 20 das 30 cidades onde houve maior queda na nota do Ideb, os prefeitos ou vices buscam reeleição. A valorização do professor é outro tema deixado de lado no país”.
O jornal Estado de Minas (30 de julho) escreve que a maior seca do semiárido nos últimos 30 anos deixa 22 milhões de brasileiros (12% da população) em 10 estados expostos a uma das piores pragas da política. “Para conscientizar e estimular moradores dessas regiões a denunciar candidatos que praticam esse crime eleitoral, foi lançada a campanha “Não troque seu voto por água. Água é direito seu”. Em alerta, o Ministério Público admite que as poucas denúncias não refletem o tamanho do problema”.
Por outro lado, o Valor Econômico (31 de julho) revela que o medicamento genérico – mais barato – não chega ao Norte e Nordeste. “A venda de medicamentos genéricos cresceu muito no país, mas não de maneira uniforme. Enquanto em São Paulo a fatia dos genéricos chega a 55,1%, no Norte e Nordeste ela ainda é modesta. No Acre e Amapá, a fatia é próxima de zero, segundo estudo da consultoria IMS Health, a pedido do Pró Genéricos. Se os dados indicam grandes oportunidades de crescimento para os fabricantes, também mostram que os consumidores do Norte, Nordeste e Centro-Oeste não estão se beneficiando de produtos cujos preços são 50% menores do que os dos remédios de referência.
DESIGUALDADE E DESPERDÍCIO
Não é à toa que o Brasil, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), é o 4º país mais desigual da América Latina, conforme noticia O Estado de S. Paulo (22 de agosto). “Estudo da ONU mostra que o Brasil é o quarto país mais desigual da América Latina, atrás apenas de Guatemala, Honduras e Colômbia. De acordo com o relatório, um quarto dos latino-americanos é pobre, ou seja, vive com menos de US$ 2 por dia. No Brasil, 28% da população vivem em favelas. A média da América Latina é de 25%”.
Adalberto Luís Val escreve, no Valor Econômico (27 de agosto), que a perda de alimentos amplia o “Custo Brasil” – e logo na abertura do texto traz questões que merecem reflexão de nossa sociedade. “O Brasil está há pelo menos meia década em franca expansão econômica. Mas uma questão que ainda emperra o desenvolvimento e o crescimento é o chamado custo Brasil. Entre as questões colocadas por um investidor antes de aplicar o seu capital no país estão: os impostos são reduzidos? A mão de obra é barata? Os juros são baixos? Existe uma boa infraestrutura de transportes? A energia é abundante? Há informação científica robusta disponível? Há suporte técnico-científico para as atividades planejadas?
Segundo o autor, há um aspecto que também afeta a conta final do custo Brasil mas que é pouco abordado. “É a questão da fome e do desperdício de alimentos. O Brasil está entre os dez países que mais desperdiçam comida no mundo. (…) Cerca de 35% de toda a produção agrícola vai para o lixo. (…) Entre os consumidores, os números também são alarmantes. Uma família brasileira desperdiça, em média, 20% dos alimentos que compra no período de uma semana. Em valores, isso representa US$ 1 bilhão, dinheiro suficiente para alimentar 500 mil famílias. Na mesa do consumidor, a situação não é melhor. A Embrapa Agroindústria de Alimentos realizou uma pesquisa em que demonstra que o brasileiro joga fora mais alimentos do que efetivamente leva à mesa. Nas 10 principais capitais do país, o consumo anual de vegetais é de 35 quilos por habitante. No entanto, o desperdício chega a 37 quilos por habitante ao ano, parte do qual relacionado à qualidade inicial do produto e parte relacionada a armazenamento inadequado”.
Mais de 10 milhões de toneladas de alimentos poderiam estar na mesa de milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza, escreve Val, noValor. “Do total de desperdício no país, 10% ocorrem durante a colheita, 50% no manuseio e no transporte dos alimentos, 30% nas centrais de abastecimento e os últimos 10% ficam diluídos entre supermercados e consumidores. Por exemplo, segundo o IBGE, a estimativa é de que 67% das cargas brasileiras sejam deslocadas pelo modal rodoviário, o menos vantajoso para longas distâncias”.
“A EDUCAÇÃO PRECISA DE RESPOSTAS”
A solução, construída permanentemente para o conjunto de problemas que trago aqui, passa obrigatoriamente pela educação. Por isso, certamente, o jornal Zero Hora (RS), dia 28 de agosto, trouxe a manchete “A educação precisa de respostas”.
O texto: Em nova campanha institucional, o Grupo RBS (que edita Zero Hora) reafirma compromisso de colocar suas empresas e seus veículos de comunicação a serviço da qualificação da educação, por meio de seis ações que compartilha com a sociedade. 1 – Divulgar temas relacionados ao ensino com foco prioritário no interesse dos estudantes. 2 – Valorizar a escola como centro de saber e espaço para o desenvolvimento individual e coletivo dos alunos. 3 – Dar visibilidade aos indicadores de qualidade da educação, especialmente às avaliações das escolas. 4 – Defender a valorização dos profissionais do ensino. 5 – Mobilizar a sociedade para participar ativamente no processo educacional, estimulando os pais a se tornarem agentes fiscalizadores da qualidade da aprendizagem. 6 – Destacar e premiar iniciativas inovadoras e positivas de ensino, para que sirvam como referência de qualificação”.
A AGONIA DAS SANTAS CASAS
O alerta vem desde julho, e o problema desde 1988, mas parece desconhecido das autoridades e da sociedade. “A agonia das Santas Casas” é o título de editorial de O Estado de S. Paulo (29 de julho). “A deterioração da situação financeira dessas entidades – que recebem remuneração insuficiente do Estado, embora sejam a principal força auxiliar do Sistema Único de Saúde (SUS) – ocorre continuamente desde a criação do SUS em 1988.
“Se nada for feito a respeito, o valor do débito das Santas Casas atingirá R$ 15 bilhões em 2013 – em 2005, esse montante era de R$ 1,8 bilhão, conforme mostra o jornal Correio Braziliense (22 e 23 de julho). Estamos caminhando para o maior colapso do sistema de saúde da história, disse o deputado federal Luiz Henrique Mandetta, presidente da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara”.
O editorial do Estadão lembra que a saúde é a principal preocupação dos brasileiros na eleição municipal pelo menos em seis capitais e reforça: “Como as Santas Casas e os hospitais filantrópicos são responsáveis por 45% das internações do SUS e por 34% dos leitos hospitalares do Brasil, talvez não seja conveniente, nem do ponto de vista social, nem do ponto de vista social, nem do ponto de vista político, ignorar a importância dessa crise”.
OPINIÃO
“Não há motivo para comemoração e fogos de artifício quando um dos principais partidos do país – e mais, o partido que mobilizou a nação com o discurso da ética – chega ao banco dos réus e às portas da prisão. Disse Peluso: “Nenhum juiz verdadeiramente digno de sua vocação condena ninguém por ódio. Nada me constrange mais do que condenar um réu em matéria penal”. Estamos todos constrangidos. E tristes”.
Eliane Cantanhêde, no artigo “Constrangimento nacional”, na Folha de S. Paulo (30 de agosto), referindo-se ao PT e à declaração do ministro Cezar Peluso – que se aposenta compulsoriamente por  completar 70 anos de idade – durante julgamento do “mensalão” no Supremo Tribunal Federal.
UFANISMO – O ufanismo (jactância ou auto-vangloriação de um país) é uma expressão utilizada no Brasil em alusão a uma obra escrita pelo conde Afonso Celso, cujo título é Porque me Ufano do Meu País, ensina o Wikipédia.
José Aparecido Miguel, sócio da Mais Comunicação, www.maiscom.com, é jornalista, editor e consultor em comunicação.
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